Uma criança de oito anos morreu após receber anestésico no hospital
municipal de Chaval, a 408 km de Fortaleza, segundo a família e
profissionais da unidade. De acordo com o tio da menina, Manuel de
Souza, ela foi levada ao hospital em 1º de dezembro após cair no
banheiro quando tomava banho. "Ela cortou a cabeça no vaso sanitário na queda. No hospital, o médico
foi aplicar a anestesia para costurar a cabeça e disse que a anestesia
não pegava. Ele aplicou várias vezes", disse. O laudo que vai indicar a
causa da morte sai em 15 dias, segundo a família. De acordo com o tio, Kayane Carvalho Rocha foi transferida para um
hospital no município vizinho de Parnaíba, no Piauí, uma hora depois e
já inconsciente. No caminho, faltou oxigênio na ambulância, a menina não
teve socorro adequado durante uma parada cardiorrespiratória.
Ao chegar
no Piauí, acrescenta Manuel Sousa, ela passou por reanimação, mas o
médico que recebeu a criança disse que ela estava morta, mantida pelos
aparelhos. "O pai dela não aceitou que tirassem as máquinas", disse. A criança deve ser enterrada em Chaval nesta sexta-feira (9). "Está uma
comoção em Chaval", afirmou Souza. A família informou que o corpo da
criança passou por perícia em Parnaíba, o sangue foi colhido para exames
e o resultado deve ficar pronto em até 15 dias. Segundo informações do Hospital Elisete Cardoso Passos Pacheco, a
menina deu entrada às 12h no dia do acidente. A diretora da unidade,
Elisamar Pereira dos Santos de Araújo, afirma que no relatório passado
para ela a criança chegou ao hospital lúcida e sem hemorragia. “Ela
chorava muito, mas segundo a equipe, por estar com medo dos
procedimentos”, conta Elisamar. “Ela passou por uma avaliação médica e a sutura foi iniciada com a
anestesia. Mas, ela começou a ter desmaios e sofreu convulsões.
Perguntei aos profissionais que estavam lá e eles me disseram que houve
uma dosagem excessiva de anestésicos e tudo foi aplicado pelo próprio
médico”, disse a diretora. Na ocasião, segundo familiares da criança, o
médico justificou as reações como sendo consequências de alergia. O médico dá plantões de 24 horas todas as quintas-feiras na unidade
hospitalar, mas trocou o plantão do dia 8 com um outro colega. A direção
do hospital não soube informara ao G1 o paradeiro do
médico. Mas disse que tomará providências após receber o laudo dos
exames. “Estamos sensibilizados com o caso. Tomamos todos os relatos
necessários e se for apurado realmente que houve esse excesso, vamos
tomar as medidas cabíveis inclusive na Justiça, auxiliando a família”,
afirmou Elisamar. (G1 CE/AVSQ)