A participação do governador Cid Gomes (PSB) de parte da sessão
ordinária da Assembleia Legislativa cearense, na última quarta-feira,
motivou uma série de especulações. Uma delas dá conta de ter como objeto
calar ou inibir a reduzida oposição ao seu Governo; outra está ligada
ao fato de buscar suprir a falta de uma comunicação eficaz, da parte dos
secretários responsáveis pelas principais obras da administração, e
ainda, somar para a sua popularidade, a repercussão política causada
pelo inusitado do gesto. Oficialmente, não há, na Constituição do
Estado, qualquer dispositivo abrindo espaços ao chefe do Executivo de
ocupar a tribuna do Legislativo.
Embora, registre-se, ser muito salutar
um diálogo aberto, sem restrições regimentais, entre os representantes
dos dois poderes eleitos pelos cearenses. À Assembleia o governador só
está obrigado a ir tomar posse. Até mesmo na abertura do ano
legislativo, quando o Executivo tem que apresentar uma mensagem "expondo
a situação estadual" ele não precisa ir àquela Casa. Um secretário pode
levar o documento e o deputado representante da Mesa Diretora da Casa
fará a leitura. Cid, ao longo do tempo que ocupou a tribuna da
Assembleia, falou muito das obras e projetos do seu Governo, na parte
relacionada à mobilidade urbana, especialmente em Fortaleza, embora
saibamos que o Estado tem investimentos nessa área em dois dos
principais municípios do Estado: Juazeiro do Norte e Sobral. E falou
tanto e detalhadamente, a ponto de motivar até o seu principal opositor,
deputado Heitor Férrer (PDT), no dia seguinte, elogiar as benfeitorias,
concluindo que se tudo aquilo for feito, Fortaleza vai ter outra face. Embora
a preocupação geral fosse a de afirmar que a visita de Cid Gomes à
Assembleia foi inesperada e o próprio governador tenha afirmado ter
começado a prepará-la na noite do dia anterior. A apresentação,
indiscutivelmente, foi organizada para aquele espaço, o único com a
plateia sonhada por quem quer difundir projetos políticos e lá garantir
respaldo para obras esperadas pelas populações carentes dos serviços de
transportes. (DN/AVSQ).