13/02/2013 - O anúncio da renúncia do papa Bento XVI, na última segunda-feira (11),
abriu a porta para todo tipo de conjecturas sobre seu possível sucessor e
para um período de incerteza inédito na Igreja Católica em 700 anos. O
novo pontífice, que deverá ser eleito até o dia 31 de março, terá a dura
tarefa de comandar uma igreja de 1,2 bilhão de fiéis e enfrentar as
questões centrais colocadas pelo mundo moderno - o qual Joseph
Ratzinger, fiel à sua doutrina, resolveu combater reforçando o
tradicionalismo. Os dilemas da maior denominação cristã do mundo apenas
agravaram-se sob Bento XVI. Mesmo
a sangria de novos padres, que foi estancada e mantém o quadro em cerca
de 405 mil homens, só o foi porque houve aumento de novos sacerdotes na
Ásia e na África. Entre 2004 e 2010, a Europa perdeu cerca de
9000 padres. Paradoxalmente, Bento XVI aumentou a representatividade de
cardeais eleitores europeus, que somam pouco mais que 50% do colegiado.
Bento XVI sempre advogou uma igreja menor e mais fiel, contra os
relativismos da sociedade de consumo ocidental. Os números em suas
próprias hostes, no bastião da tradição católica que é a Europa, apontam
um fracasso. O diálogo com as demandas mais cotidianas dos
católicos, como, por exemplo, o planejamento familiar e a prevenção da
Aids, foi evitado pelo religioso, nestes sete anos de pontificado, e,
não raramente, truncado por declarações desastrosas. A
aproximação com outras religiões, especialmente o islamismo, teve
percalços, assim como o combate à pedofilia. Politicamente, até porque o
mundo não é o da Guerra Fria vivida por um gigante estrategista como
João Paulo II, a Igreja Católica perdeu peso. O futuro papa tem esses
desafios à frente. Dessa forma, o conclave cardinalício para
designar o sucessor do pontífice terá de tomar uma decisão difícil, em
uma época na qual a Igreja Católica enfrenta questionamentos internos e
as rápidas mudanças do mundo: muitos apontam a possibilidade de eleição
de um Sumo Pontífice da América Latina, África ou Ásia, e não
necessariamente de um europeu. De todos os modos, a renúncia de
Bento XVI no próximo dia 28 de fevereiro terá muita influência na
eleição de seu sucessor, pois marca o fim do pontificado que dura toda a
vida.
DN
