
A cidade de Tauá, no Sertão dos Inhamuns do Ceará, tem a meta de que
toda a população das zonas rural e urbana tenha acesso a internet até
2016. No município, há pontos de internet grátis wi-fi (conexão sem fio)
em praças, prédios públicos e no terminal rodoviário da cidade. Os moradores têm acesso também ao “bodefone”, telefone público que faz
ligação via Voip e reduz em 60% o custo da chamada, de acordo com o
secretário de Ciências e Tecnologia de Tauá, Élvis Gonçalves. O bodefone
foi batizado em referência ao animal símbolo da região e transfere a
ligação de um telefone convencional para um telefone conectado a
internet, tornando a ligação mais barata, explica o secretário.
O investimento da cidade em comunicação online tornou Tauá a décima
cidade mais digital do Brasil, de acordo com o "Índice Brasil de Cidades
Digitais", realizado pela primeira vez pela Momento Editorial, em
parceria com a instituição Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em
Telecomunicações (CpqD). Todas as outras cidades do ranking são do Sul
ou Sudeste do Brasil. “Tauá fica no meio do semiárido, no meio do sertão cearense, queríamos
trazer algo para a cidade que não dependesse de água e trouxesse
desenvolvimento. Foi quando tivemos a ideia de investir na comunicação”,
diz o secretário de Ciência e Tecnologia. Gonçalves diz que o objetivo é popularizar a internet e capacitar a
população para gerar renda com os meios que a comunicação digital
proporciona. “Se muita gente vai usar computador, alguém precisa ser
capacitado para consertá-los, para ensinar a operar a máquina, é aí que
entram as pessoas capacitadas”, explica. A prefeitura da cidade oferta cursos de “alfabetização digital”, para
pessoas que estão aprendendo os primeiros passos no uso de computador e
internet; e cursos avançados de hardware e desenvolvimento de sites. Em
todas as escolas públicas municipais também há laboratórios de
informática. Os alunos dos cursos de internet da cidade desenvolveram também o
sistema de conexão on-line da Usina Solar de Tauá, empreendimento do
Grupo MPX, de propriedade do bilionário Eike Batista.
Na cidade há também modelos de “quiosques digitais”, que são uma
espécie de pequena lan house com quatro computadores conectados a
internet de uso gratuito. Cada pessoa tem direito a um acesso de 40
minutos por vez. “Os 40 minutos são para pessoas que acessam e-mails e
redes sociais. Para pesquisas e estudo, é só apresentar o perfil da
pesquisa que a pessoa terá mais tempo”, diz Gonçalves. A estudante Eliane Ferreira, de escola pública da cidade, diz que faz
uso regular do quiosque digital para estudo. “A pesquisa on-line é
realmente uma revolução para os estudos. Enquanto você leva uma, duas
horas para pesquisar em biblioteca, na internet você em questão de
segundos”, diz a estudante. A partir da popularização do uso de internet e computador na cidade, o
secretário Élvis Gonçalves diz que sentiu a necessidade de reciclar as
carcaças de computadores. Os alunos desenvolvem arte e lixeiras com
material reciclável de computadores velhos. (G1 CE/AVSQ).