Um novo "cemitério" de veículos funciona em Fortaleza, no Centro de
Exposições César Cals, na Avenida Sargento Hermínio. Como uma possível
prova do descaso com o dinheiro público, 55 veículos, de propriedade da
Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), se acumulam, há mais de um
ano, ao relento, sofrendo com a ação da chuva e do sol, de vândalos e
tendo seu valor depreciado a cada dia que se passa. São de marcas
variadas e populares, todos já com ferrugem, pneus furados, algumas
peças roubadas, vidros e portas danificadas. É como ter recurso
estadual na iminência de ser jogado fora, enquanto gestores parecem
falhar na prestação dos serviços de saúde, educação e demais direitos
básicos à população. Os bens eram de uso da Empresa de
Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e estão
abandonados no local sem vigilância, sob risco de quem passe no entorno,
segundo o diretor administrativo e financeiro da empresa pública,
Maximiliano Quintino. A maioria deles foi se acumulando após a
entrega de novos transportes e demora na realização dos leilões. A
frota, justifica Quintino, já estava bem antiga, pronta para ser
"aposentada". Bens rodavam muitos quilômetros pelos rincões do interior
do Ceará, em vias esburacadas ou de chão batido, em ações diárias de
assistência técnica. "Para consertar, não vale mais tanto à pena. Só é
bom investir quando o conserto é menor que 50% do valor total. Não é o
caso desses que estão na SDA. Tem até um fusca bem velho", informou. Em
setembro, por meio de uma ação da Secretaria do Desenvolvimento Agrário
em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), foram
entregues para Ematerce novos 94 carros, 100 motos, 475 computadores e
206 estações de trabalho. Com a frota renovada, os antigos carros foram
deixados de lado, sem uso.(DN/AVSQ).