Heróis: na 3ª Divisão Cearense, torcida chega até de pau de arara.

Torcida do Uruburetama no Estádio Perilão (Foto: Diego Morais / Globoesporte.com) O bilheteiro na porta do Estádio Perilo Teixeira (Perilão), em Itapipoca, a 130 quilômetros de Fortaleza, quase não tem trabalho em dia de jogo do Uruburetama. Mesmo dividindo esta função com a de porteiro, ele não tem muito a fazer, pois não há gente suficiente comprando ingressos. Para completar, ele está de bilheteiro-porteiro apenas quebrando um galho. Na verdade, Franciélio Melo é dirigente do clube e, com a dificuldade financeira do futebol no interior do país, precisa acumular estas funções em dias de jogos. - A gente tem que ajudar o clube de qualquer forma - diz o porteiro-bilheteiro-dirigente. Para ajudar, não só acumula funções, mas também tenta fazer promoções no valor dos ingressos. Se a inteira custa R$ 6, o bilheteiro vende a R$ 5. - É 6 (reais), mas a gente faz a 5 (reais) para tentar atrais mais gente, até porque, a maioria do pessoal vem de outra cidade - declara Franciélio. O Uruburetama não mandou nenhum dos seus 15 jogos da Terceira Divisão Cearense em casa. Os que atuou como mandante foram disputados em Itapipoca, cidade que fica a 36 quilômetros do município de Uruburetama. O estádio Antonio de Paula Sales, onde o time poderia mandar seus jogos, não teve os laudos aprovados por Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.  - Ficar longe de casa nos prejudicou muito. Se fosse lá em Uruburetama, colocaríamos mil, duas mil pessoas em um jogo como este - conta o presidente do clube, Alexandre Nery. Em partida decisiva, a expectativa é de um grande público, ainda mais por se tratar do futebol - a paixão nacional. Essa regra, no entanto, não vale para a Terceira Divisão Cearense. Público e renda ficaram longe de empolgar até nos jogos do hexagonal final. (GE CE/AVSQ).