
Quando o Flamengo foi campeão carioca, no
início deste ano, o pequeno distrito de Saboeiro comemorou. Foi um
domingo diferente. Nada de fazer ciranda com as cadeiras na calçada nem
se deitar cedo. Foi dia de juntar gente e carro para fazer buzinaço.
“Teve uma carreata que juntou mais de 30 carros”, orgulha-se Carlos
Daniel de Almeida, 12. O menino é fã do Rubro-Negro.
Exalta Ronaldinho, gaba Thiago Neves e esnoba Léo Moura. “Já tá velho,
faz mais nada”, justifica. Mas queria ver todos jogando. “Se eu tivesse
dinheiro, ia pro Rio ver um jogo do Flamengo”, olha longe e mareja,
menino sonhador que é. E para o futebol de travinha, marcada com
sandálias, só para vir bater papo sobre o time. Junto com
Carlos Daniel, a torcida do time do Rio é grande no distrito de
Flamengo. “Só torço Flamengo”, restringe Pedro Rodrigues, 67,
comerciante que, depois do meio-dia, arma a rede rubro-negra, descalça
as chinelas vermelhas e pretas e descansa ali mesmo, no meio da
mercearia.Daniela Nogueira. Ivanilson Moreira Guedes, 20, é outro que já
gastou um tanto de dinheiro com objetos do Flamengo. Até aposta faz. E
já perdeu dinheiro com isso. “Mas já ganhei um bocado também”, garante.
Tem camisa, boné, chaveiro. Quer é estampar a paixão. Mas,
mesmo no distrito que leva o nome do clube, o Flamengo não monopoliza.
Concorre com a preferência por outros times. “É o time mais amado do
Brasil, mas é o mais odiado também, porque os torcedores do Flamengo
fazem a gente ter raiva deles”, esbraveja Bérgson Carlos Rodrigues, 30,
com a camisa do Palmeiras no peito. O ruim, para o alviverde,
é o comportamento dos flamenguistas. Se ganham, desdenham dos demais.
“Quando teve a carreata, diziam que estavam vendendo senha. Quero ver
agora”. E é ele quem subestima.(OPOVO Online/AVSQ).