Festa de Santo Antônio dia 13 de junho; de São João, dia 24; de São Pedro e São Paulo, dia 29 de junho. Há motivos para comemorar durante o mês todo e até fazer uma farra tardia, a julina. Mas, apesar dessa ligação ao calendário das festas católicas e aos dias dos santos, o costume de celebrar o mês de junho remonta a um tempo anterior à era cristã. Mais precisamente, aos rituais de invocação da fertilidade no Hemisfério Norte, durante o solstício de verão, o dia mais longo do ano. De acordo como livro Festas Juninas, Festas de São João: Origens, Tradições e História, da antropóloga Lúcia Helena Vitalli Rangel (Publishing Solutions / Yoki, 2008), era no solstício de verão que diversos povos, como celtas, egípcios, persas e sírios, faziam rituais para promover a fartura nas colheitas. Na Europa, ao longo dos séculos, os festejos do solstício foram incorporados à cultura de cada região. Em Portugal, país majoritariamente católico, os santos de junho foram incluídos nas celebrações. Das terras lusitanas, as tradições aportaram por aqui e ganharam outras cores locais. “No Brasil, há uma certa coincidência entre as festas da fertilidade da colheita do Hemisfério Norte comrituais indígenas”, diz Lúcia Helena, que é professora e diretora-adjunta da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A influência dos índios na festa brasileira fica evidente nas comidas juninas: milho,mandioca, abóbora e batata-doce, exemplifica a antropóloga. É, enfim, uma celebração miscigenada, com ingredientes vindos de diversas culturas. Veja, a seguir, algumas curiosidades sobre os símbolos dessa festa. Quadrilha Tudo que é moda em Paris é moda no mundo. E foi assim que a dança quadrille desembarcou por aqui, nos salões brasileiros do século 19. Não é à toa que o puxador da quadrilha usa palavras como "balancê” e “anarriê” (do francês en arrière, ou seja, para trás). Com o tempo, a marcação europeia deu lugar à cadência brasileira e o som passou a ser feito pelo triângulo, pela zabumba e pela sanfona. Pau de sebo: A brincadeira de escalar os cerca de cinco metros do pau de sebo é um desafio e tanto. Quem conseguir alcançar o topo ganha uma bela quantia de dinheiro. O pau de sebo não deve ser confundido como mastro dos santos, erguido com a bandeira do santo padroeiro da festa. Comidas típicas:Época de agradecer a fartura, época da colheita do milho. É por isso que ele está tão presente nas festas, em forma de curau, bolo de milho, pamonha, caldo de milho, pipoca e milho cozido.Fogueira: A luz da fogueira era o aviso de que João Batista havia nascido. De acordo com a lenda católica, o fogo foi o sinal combinado por Isabel para avisar sua prima Maria do nascimento do filho. Antigamente, a fogueira também era usada para afastar os maus espíritos das plantações.Balões: Os balões são proibidos no Brasil, mas, em outras épocas, eram usados para levar os pedidos dos fiéis para os santos.